Soja, milho e trigo recuam em Chicago pressionados pela colheita americana

Quarta sessão negativa para a soja
O mercado de commodities agrícolas voltou a operar em território negativo na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira, com destaque para a soja, que acumulou a quarta sessão consecutiva de perdas. O contrato com vencimento em novembro encerrou o pregão com queda de 1,11%, cotado a US$ 12,63 por bushel, refletindo o avanço do ritmo de colheita nos Estados Unidos e a chegada maciça da nova safra ao mercado interno.
Além da pressão sazonal típica deste período do ano, os operadores também monitoraram a desaceleração no processamento da oleaginosa em território norte-americano, fator que reduz a demanda doméstica e contribui para o acúmulo de estoques disponíveis para comercialização.
Vendas externas não revertem o cenário
Apesar do desempenho negativo, o mercado registrou movimentação relevante no front das exportações. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou a venda de 330 mil toneladas de soja referentes à safra 2026/2027 para a China, histórica principal compradora do grão americano.
Outro lote de 283,45 mil toneladas também foi negociado, porém com destino não revelado pelo órgão americano. Ainda assim, o volume comercializado não foi suficiente para conter a tendência de baixa observada ao longo do pregão, uma vez que a oferta crescente seguiu como fator predominante na formação de preços.
Conab eleva projeção para a safra brasileira
No cenário doméstico, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nova estimativa para a produção de soja no ciclo 2026/2027, projetando um volume de 181,62 milhões de toneladas. O número representa avanço em relação às 180,41 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior.
A expansão também deve ser observada na área destinada ao cultivo da oleaginosa, que pode alcançar 49,31 milhões de hectares, superando os 48,61 milhões de hectares registrados na safra 2025/2026. O crescimento da área plantada reforça a expectativa de oferta robusta para os próximos meses, tanto no mercado interno quanto para exportação.
Milho pressionado pela colheita e pelo ritmo das exportações
O milho também fechou em queda nesta quinta-feira, com o contrato para dezembro recuando 0,57%, a US$ 4,78 por bushel. O cereal já soma três sessões seguidas de perdas, movimento atribuído principalmente ao avanço da colheita nos Estados Unidos e à perspectiva de uma safra robusta no país.
Segundo projeções do USDA, a produção norte-americana de milho pode atingir 407,28 milhões de toneladas, volume que reforça a disponibilidade do grão no mercado internacional. A chegada constante de novos lotes, somada ao que o mercado avalia como um ritmo lento de exportações frente à necessidade de escoamento da produção, tem dificultado uma recuperação mais consistente dos preços.
Por outro lado, fatores externos ofereceram algum contraponto à pressão baixista. Perdas na produção de milho da União Europeia aumentaram a demanda por importações, enquanto as dificuldades enfrentadas pela Ucrânia para realizar embarques seguros pelo Mar Negro mantiveram parte do mercado em alerta, sustentando preços em patamares que, sem esses fatores, poderiam ter recuado ainda mais.
Trigo fecha em baixa com pressão de especuladores
O trigo também registrou desvalorização na sessão desta quinta-feira. O contrato para dezembro encerrou com queda de 0,48%, cotado a US$ 6,70 por bushel. As vendas realizadas por investidores especulativos, somadas à falta de notícias mais animadoras sobre o ritmo das exportações americanas, contribuíram para o movimento de baixa.
De acordo com a consultoria Granar S.A., a expectativa de chegada de novos volumes provenientes do Hemisfério Sul também funcionou como fator limitante para eventuais altas, já que amplia a oferta global disponível em um momento de demanda ainda incerta.
Câmbio e conflito no Mar Negro seguem no radar
A desvalorização do dólar frente ao euro ofereceu um alívio pontual ao mercado exportador de trigo dos Estados Unidos, tornando o produto norte-americano relativamente mais competitivo em termos cambiais. Ainda assim, o efeito não foi suficiente para reverter a tendência de queda observada ao longo do pregão.
As tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia permanecem como um dos principais pontos de atenção para os investidores do setor. Os riscos relacionados à segurança da navegação no Mar Negro, rota estratégica para o escoamento de grãos da região, continuam gerando incertezas que podem impactar diretamente a logística de exportação de trigo e milho nos próximos meses.
O conjunto desses fatores evidencia um mercado agrícola internacional sensível tanto a questões de oferta e demanda quanto a riscos geopolíticos, em um momento no qual a colheita americana avança simultaneamente à perspectiva de uma safra brasileira ainda maior.