Agro brasileiro vive paradoxo de valorização externa sem tradução em maior valor

O agro brasileiro enfrenta um paradoxo. Embora seja mais valorizado no exterior por sua beleza, cultura e tradições, essa percepção positiva não se traduz em maior valor para seus produtos no mercado internacional.
A pesquisa Marca Brasil, realizada pela consultoria OnStrategy e divulgada com exclusividade pela CNN Brasil, mostra que o setor alcança sua maior pontuação (7,5) fora do país nos atributos simbólicos, mas não consegue converter essa imagem em admiração adicional ou disposição de pagar mais.
Para a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, o Brasil tem capacidade produtiva ampla e exporta produtos de alta qualidade, mas em volumes distintos dentro das cadeias globais. O estado de Mato Grosso é um exemplo, focado na produção de commodities como soja, milho e algodão.
A pesquisa destaca que produtos associados à origem e à identidade cultural, como café, vinho e cacau, têm desempenho superior na imagem internacional em comparação com commodities agrícolas. No entanto, mais da metade da receita do complexo soja é responsável por cerca de 60% dos selos de indicação de procedência.
Para o presidente do INPI, Júlio César Moreira, criar nichos específicos para consumidores que valorizam procedência e qualidade pode trazer valor à produção nacional. Além disso, as indicações geográficas têm potencial altíssimo de retorno social e econômico para as comunidades.