Desmatamento na Amazônia: Colapso da Moratória da Soja Pode Aumentar Destruição em 17%

Impacto do Fim da Moratória
A saída da Abiove, representante das maiores empresas de comércio de soja, do acordo voluntário chamou a atenção para o aumento do desmatamento na Amazônia brasileira. O colapso da Moratória da Soja pode levar a uma perda adicional de 1,4 milhão de hectares de vegetação até 2035, em comparação com um cenário de permanência do pacto.
De acordo com os pesquisadores das universidades de Wisconsin, Illinois e DePaul, nos Estados Unidos, a derrubada extra poderá variar de 740 mil a 2 milhões de hectares. A perda dessa cobertura vegetal lançará na atmosfera 745 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (entre 390 milhões e 1 bilhão de toneladas), dificultando a meta climática do Brasil e o acesso a mercados internacionais.
Desmatamento Legal
A análise indica que 9,1 milhões de hectares de vegetação em terras privadas, equivalente ao território português, poderão ser derrubados legalmente para cultivos. Outros 28,7 milhões de hectares em florestas públicas não destinadas, área próxima ao tamanho da Itália, estarão vulneráveis.
Causas do Aumento
Segundo a cientista Lisa Rausch, o efeito do fim da Moratória não vai ser majoritariamente nas propriedades que já produzem soja, mas sim nas outras propriedades. Isso porque o acordo setorial abriu a perspectiva para expansão em áreas que nunca tiveram soja anteriormente.
Além disso, o entorno da rodovia BR-319 é visto como uma possível nova fronteira agrícola, cuja exploração seria facilitada com o asfaltamento da estrada. O artigo divulgado pela revista Science diz que a Moratória da Soja reduziu em 35% o desmatamento nas áreas de risco para expansão da soja e evitou a derrubada de aproximadamente 1,8 milhão de hectares — isso apenas na primeira década de vigência.
Agora, com o esvaziamento do pacto, grãos plantados em terras desmatadas poderão ser vendidos novamente. O artigo diz que o aumento na perda do bioma é esperado porque o acordo havia diminuído o valor econômico do desmatamento e a pressão geral sobre a Amazônia.