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Fazenda paulista dobra produção de leite e retoma liderança do ranking nacional

Por: Redação Valores Agro
14 de outubro de 2026
Fazenda paulista dobra produção de leite e retoma liderança do ranking nacional

Conforto térmico como pilar da produção

Na Fazenda São José, em Tapiratiba, interior de São Paulo, o cuidado com o conforto térmico das vacas em lactação tornou-se rotina estratégica para a produção leiteira. As quase 2.750 vacas em lactação da propriedade, dona da marca Fazenda Bela Vista, passam por banhos antes e depois da ordenha, chegando algumas a receber até seis banhos diários. A prática, inspirada em modelos pesquisados em outros países, busca reduzir o estresse calórico, especialmente nos meses de verão, quando a temperatura na região ultrapassa os 35 graus.

Segundo o diretor-geral da propriedade, Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, a sensibilidade do gado holandês ao calor exige atenção redobrada. A raça, que hoje representa a totalidade do plantel da fazenda, é reconhecida pela alta produtividade, mas também pela maior vulnerabilidade a condições climáticas adversas, o que torna o conforto térmico um fator determinante para manter os índices de produção em patamares elevados.

Crescimento expressivo em oito anos

Os investimentos em bem-estar animal, aliados a mudanças no sistema de manejo, resultaram em um salto expressivo na produção de leite da propriedade. Em oito anos, a Fazenda São José passou de 47 mil litros diários para 102 mil litros em 2025, um crescimento que mais que dobrou o volume produzido no período.

O desempenho recente garantiu à propriedade o retorno ao primeiro lugar do ranking MilkPoint/Abraleite em 2026, superando a Fazenda Colorado, de Araras, que ocupava a posição de destaque. A direção da fazenda atribui parte relevante desse avanço à adoção de práticas de bem-estar animal, com ênfase especial no controle térmico do rebanho, fator que impacta diretamente a saúde e a produtividade das vacas em lactação.

Nova meta de produção e expansão do laticínio

Com o patamar atual consolidado, a fazenda já projeta um novo ciclo de crescimento. A meta é alcançar 150 mil litros de leite por dia em um prazo de três anos, volume que exigirá ajustes estruturais tanto na produção quanto no processamento industrial realizado na própria propriedade.

Para acompanhar essa expansão, a empresa está investindo R$ 15 milhões na ampliação do laticínio instalado na fazenda, localizada a cerca de 300 quilômetros da capital paulista. O aporte contempla a aquisição de pasteurizador, homogeneizador, nova linha de envase, equipamentos de empacotamento e rotulagem, além da ampliação das áreas de estocagem e câmara fria.

“Tem que vender mais porque a produção está subindo”, afirma Sérgio Ferraz Ribeiro Filho, ao justificar a necessidade de reforçar a capacidade industrial diante do aumento constante de matéria-prima disponível na propriedade.

Estrutura industrial em expansão

A fábrica de lácteos da Fazenda Bela Vista possui atualmente 1.480 metros quadrados e foi originalmente projetada para processar 630 mil litros de leite por mês. Hoje, no entanto, a unidade já processa mais de 2 milhões de litros mensais, volume muito acima da capacidade inicialmente planejada.

Diante desse cenário, a nova área de ampliação terá 2.050 metros quadrados, praticamente dobrando a estrutura física do laticínio. A previsão é que a nova linha comece a operar no início de novembro, ampliando significativamente a capacidade de processamento da unidade.

De acordo com Sérgio, a capacidade de processamento após as obras pode chegar a 6 milhões de litros por mês, patamar que sustentaria o crescimento projetado para os próximos anos e permitiria à empresa absorver o aumento contínuo da produção de leite na fazenda.

Expansão da linha de iogurtes

Entre os produtos que devem ganhar maior escala está o iogurte, cuja produção semanal deve saltar de 74 para 156 toneladas. Para viabilizar esse crescimento, está sendo instalada uma nova máquina voltada à produção de embalagens de 250 ml e 500 ml, ampliando as opções de formato oferecidas ao consumidor.

A estratégia da empresa é utilizar os iogurtes como vetor de expansão comercial dentro do Estado de São Paulo, incluindo regiões mais distantes da unidade fabril. Por isso, o planejamento de crescimento prevê aumentar a produção de iogurtes com validade de até 60 dias, característica que facilita a distribuição em praças mais afastadas.

Portfólio diversificado de produtos

Atualmente, o portfólio da Fazenda Bela Vista inclui leite Tipo A nas versões integral, semidesnatado e desnatado, além de creme de leite, queijo parmesão, queijo Minas Padrão, queijo frescal, ricota e iogurtes vendidos em garrafa e em copo. A marca é reconhecida, em especial, pelas tradicionais garrafinhas de leite, que se tornaram um símbolo visual da empresa ao longo dos anos.

Para ainda este ano, a empresa planeja lançar uma nova linha de iogurtes com whey protein, buscando aproveitar o momento de demanda aquecida nessa categoria de produtos, impulsionada pelo crescimento do consumo de itens com maior teor proteico.

Origem na fronteira entre São Paulo e Minas Gerais

Parte da Fazenda São José está localizada em território mineiro, mas foi do lado paulista que a família fundadora optou por instalar o laticínio, decisão motivada pela proximidade com o principal mercado consumidor de leite do país. Sérgio é neto de Orostrato Olavo Silva Barbosa, conhecido como "rei do leite", falecido em 2012, responsável por iniciar a produção leiteira na propriedade em 1960.

Na época, o gado era criado a pasto e a ordenha realizada de forma manual, com produção inicial de cerca de 70 litros por dia. A raça predominante era o dinamarquês cruzado com o holandês. Ao longo dos anos, a propriedade também trabalhou com a raça gir, até migrar definitivamente para o holandês, que hoje compõe a totalidade do plantel.

Modernização do sistema de criação

Um marco importante na história da fazenda ocorreu em 1987, quando foram implantados os primeiros confinamentos no modelo free stall do Brasil, sistema em que as vacas ficam soltas em galpões com camas individuais. A adoção da tecnologia foi resultado de viagens de Olavo a Estados Unidos, México e países europeus em busca do modelo de verticalização mais adequado à realidade da propriedade.

Parte da recria do rebanho continuou sendo feita a pasto por décadas, até que, em 2019, a fazenda iniciou a adoção do sistema compost barn, no qual os animais permanecem em espaço coberto para descanso, revestido com serragem e esterco compostado. A mudança trouxe reflexos diretos sobre a produtividade individual das vacas.

Com as novas práticas de manejo e bem-estar, a produção média por vaca saltou de 28 litros por dia para 42 litros diários. Atualmente, mais da metade do rebanho já apresenta média individual de 49 litros por dia, reforçando o papel do conforto térmico e das condições de alojamento como fatores centrais no desempenho produtivo da fazenda.

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