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IBGE revela que rebanho bovino encolhe mas produção de carne e leite atinge recordes em 2025

Por: Redação Valores Agro
30 de setembro de 2026
IBGE revela que rebanho bovino encolhe mas produção de carne e leite atinge recordes em 2025

Um retrato da pecuária nacional

A Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), traz um panorama detalhado da produção animal no país e revela números que ajudam a compreender a escala da atividade pecuária brasileira. Ao comparar a quantidade de animais criados com o total da população, é possível perceber que o Brasil abriga mais de um boi e quase oito aves para cada habitante, uma proporção que evidencia o peso do setor na economia nacional.

Segundo o levantamento, o país tinha aproximadamente 213,4 milhões de habitantes em 2025, contra 234,3 milhões de bovinos e cerca de 1,6 bilhão de galináceos, categoria que reúne galinhas, frangos e galos. Feita a divisão simples entre esses totais, chega-se a 1,1 boi e 7,5 aves por brasileiro, números que ilustram a magnitude da produção animal distribuída pelo território nacional.

Rebanho bovino em queda, mas produção em alta

Apesar da proporção elevada de bois por habitante, o rebanho bovino brasileiro registrou retração em 2025. O total de 234,3 milhões de cabeças representa uma queda de 1,7% em relação ao ano anterior, configurando o segundo ano consecutivo de redução no efetivo bovino e o menor número desde 2022.

Mesmo com o encolhimento do rebanho, a produção de carne bovina não apresentou o mesmo movimento. Pelo contrário, o Brasil bateu recorde no número de animais abatidos em 2025, com 43 milhões de bovinos enviados aos frigoríficos ao longo do ano. O dado sugere um processo de intensificação da produção, no qual o setor consegue extrair mais eficiência mesmo com um número menor de animais no campo.

Concentração regional do rebanho

A distribuição geográfica do rebanho bovino brasileiro mantém forte concentração em algumas regiões específicas do país. O Centro-Oeste aparece como a região com maior participação, reunindo 72,2 milhões de cabeças, o equivalente a 30,8% do total nacional. Na sequência, o Norte soma 63,4 milhões de bovinos, representando 27% do rebanho, enquanto o Sudeste concentra 37,4 milhões, ou 15,9% do total.

No recorte por estados, Mato Grosso lidera com folga, contabilizando 31,6 milhões de cabeças. Pará ocupa a segunda posição, com 25,6 milhões de bovinos, seguido por Goiás, com 22,5 milhões. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul completam a lista dos cinco maiores rebanhos estaduais. Juntos, esses cinco estados respondem por 51,1% de todo o rebanho bovino do país, reforçando a importância dessas regiões para a pecuária nacional.

Exportações de carne bovina em ritmo recorde

O desempenho das exportações de carne bovina in natura também chamou atenção nos dados da PPM 2025. O volume exportado cresceu 21,4% em relação ao ano anterior, enquanto a receita gerada por essas vendas externas avançou 42,5%, evidenciando tanto o aumento da quantidade embarcada quanto a valorização do produto no mercado internacional.

A China se manteve como o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por 53,3% de todo o volume exportado pelo país. As compras chinesas cresceram 24,6% em 2025. Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição entre os compradores, com um aumento de 18,8% nas aquisições de carne bovina brasileira ao longo do período analisado.

São Félix do Xingu lidera ranking de municípios

Entre os municípios brasileiros, São Félix do Xingu, no sul do Pará, aparece no topo do ranking de rebanho bovino, com aproximadamente 2,7 milhões de cabeças. O município conta com cerca de 63 mil habitantes distribuídos em uma área superior a 84 mil quilômetros quadrados, características que ajudam a explicar a elevada proporção entre animais e moradores.

A pecuária figura entre as principais atividades econômicas de São Félix do Xingu, que há anos figura entre os municípios com os maiores rebanhos bovinos do Brasil. Considerando a relação entre o número de bovinos e a população local, o município registra cerca de 43 bois para cada habitante, um dos índices mais expressivos do país nesse tipo de comparação.

Na sequência do ranking municipal aparecem Corumbá, no Mato Grosso do Sul, com 2,2 milhões de bovinos; Porto Velho, em Rondônia, com 1,7 milhão de cabeças; Cáceres, no Mato Grosso, com 1,4 milhão; e Marabá, no Pará, com 1,3 milhão. Juntos, esses cinco municípios somam aproximadamente 9,3 milhões de bovinos, o que representa cerca de 4% de todo o rebanho nacional.

Produção de leite bate recorde com menos vacas

Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa está relacionado à produção leiteira brasileira. O número de vacas ordenhadas no país caiu 2,7% em 2025, chegando a 14,7 milhões de animais, o menor efetivo registrado desde 1979. Ainda assim, a produção total de leite alcançou 36,7 bilhões de litros, novo recorde da série histórica e um crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior.

Esse aumento na produção, mesmo com a redução do número de vacas, está diretamente relacionado ao ganho de produtividade observado no setor. Em média, cada animal produziu 2.498,7 litros de leite ao longo do ano, um avanço de 5,6% na produtividade individual. O valor gerado por toda essa produção leiteira somou R$ 89,5 bilhões em 2025.

Avicultura e produção de ovos em expansão

O setor avícola brasileiro também registrou crescimento significativo. O país contava com aproximadamente 1,6 bilhão de galináceos em 2025, um aumento de 1,6% em relação ao ano anterior. Ao dividir esse total pela população brasileira, chega-se a uma média de 7,5 aves por habitante.

A produção de ovos acompanhou essa trajetória de crescimento. O Brasil produziu 5,7 bilhões de dúzias em 2025, o equivalente a cerca de 68 bilhões de unidades. Considerando a população total, isso representa uma média de aproximadamente 321 ovos por brasileiro ao longo do ano, reforçando a relevância do produto na alimentação nacional.

Santa Maria de Jetibá e a concentração de poedeiras

No município de Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, a atividade avícola apresenta uma concentração expressiva. Com cerca de 41 mil habitantes, o município mantinha aproximadamente 15,1 milhões de galinhas poedeiras em 2025, além de somar 18,4 milhões de aves ao considerar todos os galináceos criados na região.

Na proporção entre aves e moradores, Santa Maria de Jetibá registra cerca de 370 galinhas poedeiras para cada habitante, número que, arredondado, se aproxima de quase 400 aves por morador. A criação de aves tem peso relevante na economia local, que registrou aproximadamente R$ 2,1 bilhões em valor de produção de origem animal em 2025, impulsionado principalmente pela produção de ovos.

Outros rebanhos e a aquicultura nacional

Além de bovinos e galináceos, a pesquisa do IBGE também mapeou outras criações relevantes para a pecuária brasileira. O país contava, em 2025, com aproximadamente 44 milhões de suínos, 22,3 milhões de ovinos, 16,8 milhões de codornas, 13,5 milhões de caprinos, 5,6 milhões de equinos e 1,8 milhão de bubalinos, demonstrando a diversidade da produção animal nacional.

No campo da piscicultura, o município de Morada Nova de Minas, em Minas Gerais, liderou a produção de peixes em cativeiro, com cerca de 32 mil toneladas produzidas no período. O dado reforça a expansão da aquicultura como segmento complementar à pecuária tradicional em diferentes regiões do país.

Valor total da produção animal

Somando todos os segmentos avaliados pela pesquisa, o valor da produção de origem animal e da aquicultura brasileira alcançou aproximadamente R$ 141,2 bilhões em 2025. Desse total, o leite respondeu pela maior parcela, com R$ 89,5 bilhões, enquanto a produção de ovos movimentou R$ 36,4 bilhões ao longo do ano.

Os resultados da PPM 2025 evidenciam uma transformação em curso em parte da pecuária brasileira. Em segmentos como o leiteiro, o país conseguiu ampliar a produção mesmo com a redução no número de animais, um movimento sustentado principalmente pelo aumento da produtividade. Já no caso dos bovinos de corte, a queda no rebanho não impediu recordes tanto no abate quanto nas exportações, reforçando a relevância da pecuária nacional no cenário produtivo e comercial do país.

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