Importações de lácteos pelo Brasil crescem 3,5% em maio

Impasse sobre tarifas antidumping afeta o setor
As importações de lácteos pelo Brasil cresceram 3,5% em maio, para um volume equivalente a 220 milhões de litros de leite. Isso levou as compras acumuladas no ano a um novo recorde: mais de 1 bilhão de litros em cinco meses.
O aumento ocorreu em meio ao impasse sobre a aplicação de tarifas antidumping contra empresas da Argentina e Uruguai, de onde vêm mais de 80% do produto em pó importado.
De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as importações de lácteos em maio alcançaram US$ 102,8 milhões. O volume importado foi de 25,9 mil toneladas, principalmente de leite em pó e queijos.
A conversão indica que a quantidade representa cerca de 220 milhões de litros.
Importações em alta
As importações de maio representaram alta de 3,5% em relação a abril, mas houve um salto de quase 30% na comparação com maio de 2025. Segundo a CNA, as diferentes versões de leite em pó responderam por 68% do total mensal.
Argentina e Uruguai forneceram 86% desse volume.
Novo recorde
O novo recorde é para o acumulado das importações entre janeiro e maio, que chegaram a 1,02 bilhão de litros. A alta nas compras preocupa o setor em meio ao impasse do governo.
A baixa nos preços do leite aos produtores brasileiros no mês passado também contribuiu para a alta das importações.
Tarifas antidumping
O governo publicou a decisão do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) sobre o antidumping. A investigação encontrou margens de dumping que variam entre 25% e 60% para a Argentina e entre 4% e 50% para o Uruguai.
Além disso, foram encontradas margens de subcotação entre 9,2% e 20,2%. A investigação atestou que as importações geraram prejuízos aos produtores brasileiros.
Avaliação da CNA
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) contesta a avaliação do governo sobre a aplicação das tarifas antidumping. A entidade sustenta que o direito antidumping recai exclusivamente sobre o leite em pó não fracionado destinado ao uso industrial.