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Valor da produção pecuária brasileira bate recorde em 2025, aponta IBGE

Por: Redação Valores Agro
30 de setembro de 2026
Valor da produção pecuária brasileira bate recorde em 2025, aponta IBGE

Produção pecuária atinge novo patamar

O setor pecuário brasileiro fechou 2025 com o maior valor de produção da série histórica, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O montante alcançou R$ 141,2 bilhões, alta de 6,2% em relação ao ano anterior, reflexo do desempenho combinado de diferentes segmentos que compõem a atividade pecuária nacional.

Os produtos de origem animal, categoria que reúne itens como leite, ovos e mel, somaram R$ 128 bilhões, com crescimento de 5,6% na comparação anual. Já a aquicultura, atividade que vem ganhando espaço dentro do setor, registrou R$ 13,2 bilhões, avanço de 12,5%, um dos ritmos de expansão mais expressivos entre os segmentos avaliados pela pesquisa.

Entre os produtos que compõem o valor total, o leite de vaca se manteve como o principal responsável pelo resultado, respondendo por R$ 89,5 bilhões, o equivalente a 63,4% de toda a produção pecuária do país. Os ovos de galinha vieram na sequência, com R$ 36,4 bilhões, ou 25,8% do total, enquanto o mel representou uma fatia menor, de 0,9%, com R$ 1,2 bilhão.

Rebanho bovino recua pelo segundo ano seguido

Apesar do avanço no valor de produção, o rebanho bovino brasileiro seguiu em trajetória de queda. O efetivo nacional caiu 1,7% em 2025, totalizando 234,3 milhões de cabeças, o menor número desde 2022, quando o país registrava 234,9 milhões de animais.

De acordo com o IBGE, a redução do rebanho está diretamente relacionada ao aumento dos abates observado nos últimos quatro anos, com destaque para o abate de fêmeas, movimento que impacta diretamente a capacidade de reposição do plantel nos anos seguintes.

O Centro-Oeste permanece como a região com o maior rebanho bovino do país, concentrando 72,2 milhões de cabeças, o equivalente a 30,8% do total nacional. Ainda assim, a região registrou queda de 3,7% no efetivo, a terceira redução anual consecutiva.

O Norte também apresentou recuo, de 1,8%, encerrando o ano com 63,4 milhões de bovinos. O Sudeste teve queda de 1,0%, fechando em 37,3 milhões de cabeças, enquanto o Sul registrou retração de 1,7%, somando 24,1 milhões de animais.

Em contrapartida, o Nordeste foi a única região a apresentar crescimento no rebanho bovino em 2025, com alta de 2,2%, alcançando 37,3 milhões de cabeças, movimento que destoa da tendência observada nas demais regiões do país.

Entre os municípios, São Félix do Xingu, no Pará, manteve a liderança nacional, com 2,7 milhões de bovinos, representando 1,2% do rebanho total do país. Corumbá, no Mato Grosso do Sul, aparece na sequência, com 2,2 milhões de cabeças, seguido por Porto Velho, em Rondônia, com 1,7 milhão, Cáceres, no Mato Grosso, com 1,4 milhão, e Marabá, também no Pará, com 1,3 milhão de animais.

Produção de leite bate recorde pelo terceiro ano seguido

A produção de leite de vaca no Brasil alcançou 36,7 bilhões de litros em 2025, alta de 2,7% em relação ao ano anterior e o terceiro recorde consecutivo da série histórica. O resultado chama atenção por ter sido alcançado mesmo com a redução no número de vacas ordenhadas no país.

Foram registradas 14,7 milhões de vacas ordenhadas ao longo do ano, o menor número da série histórica do IBGE, iniciada em 1974. A queda no efetivo de vacas em lactação, entretanto, não impediu o avanço da produção total, graças ao aumento expressivo da produtividade por animal.

A produtividade média nacional avançou 5,6%, chegando a 2.498,7 litros por vaca ao ano, também um recorde da série histórica. Segundo o IBGE, esse resultado está relacionado a condições climáticas favoráveis ao longo do ano, além de investimentos contínuos em genética animal e em práticas de manejo, somados à reorganização da base produtiva do setor leiteiro.

No recorte regional, o Sul voltou a liderar a produção nacional de leite, com 12,5 bilhões de litros, o equivalente a 34% do total produzido no país, alta de 4,4% em relação a 2024. O Sudeste apareceu logo atrás, com 12,3 bilhões de litros, crescimento de 2,3%, respondendo por 33,5% da produção nacional.

O Nordeste ficou em terceiro lugar no ranking regional, com 6,6 bilhões de litros produzidos e alta de 2,7%. O Centro-Oeste registrou queda de 1%, totalizando 3,6 bilhões de litros, enquanto o Norte teve leve alta de 1,4%, alcançando 1,7 bilhão de litros.

Entre os municípios, Castro, no Paraná, manteve a posição de maior produtor nacional de leite, com 532,8 milhões de litros, aumento de 10% em relação ao ano anterior. Carambeí, também no Paraná, aparece na sequência, com 306,8 milhões de litros, seguido por Patos de Minas, em Minas Gerais, com 249,2 milhões de litros produzidos.

Ovos e aves seguem em expansão

O setor avícola também contribuiu de forma significativa para o resultado geral da pecuária em 2025. O número de galináceos no país chegou a 1,6 bilhão de cabeças, alta de 1,6% em relação ao ano anterior, configurando novo recorde da série histórica.

Dentro desse total, as galinhas destinadas especificamente à produção de ovos somaram 293,3 milhões de animais, aumento de 5,8% em relação a 2024, também o maior efetivo já registrado pela pesquisa do IBGE.

A produção nacional de ovos atingiu 5,7 bilhões de dúzias, novo recorde e o maior volume desde o início da trajetória de crescimento identificada pelo instituto em 1999. Em valor, a produção de ovos somou R$ 36,4 bilhões, alta expressiva de 13,9% na comparação anual.

O Sudeste liderou a produção nacional de ovos, com 2,3 bilhões de dúzias, equivalente a 39,3% do total produzido no país. O Sul respondeu por 1,3 bilhão de dúzias, enquanto o Nordeste contribuiu com 1,1 bilhão de dúzias no período avaliado.

Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, manteve a posição de principal município produtor de ovos do país, além de liderar também o efetivo de galináceos, com 18,4 milhões de animais alojados no município.

Caprinos, ovinos e suínos apresentam resultados distintos

O rebanho de caprinos brasileiro cresceu 1,2% em 2025, atingindo 13,5 milhões de animais, enquanto o efetivo de ovinos avançou 1,6%, chegando a 22,3 milhões de cabeças. Ambos os resultados representam recordes da série histórica acompanhada pelo IBGE.

A concentração desses rebanhos permanece fortemente localizada na região Nordeste, que responde por 96,6% do total de caprinos do país e por 75,8% do efetivo nacional de ovinos, reforçando o papel da região na criação dessas espécies.

Já o rebanho de suínos apresentou estabilidade em 2025, mantendo-se em torno de 44 milhões de animais. O número de fêmeas reprodutoras também permaneceu estável, próximo a 5 milhões de cabeças, sem variações relevantes em relação ao ano anterior.

No ranking municipal de suinocultura, Toledo, no Paraná, manteve a liderança nacional, com 935 mil animais. Uberlândia, em Minas Gerais, aparece na sequência, com 588 mil suínos, seguida por Concórdia, em Santa Catarina, com 519,4 mil cabeças.

Produção de mel também registra recorde

A apicultura brasileira manteve a trajetória de crescimento observada desde 2018. A produção nacional de mel somou 71,3 mil toneladas em 2025, alta de 4,5% em relação ao ano anterior, configurando o maior volume já registrado pela série histórica do IBGE.

A região Sul voltou a assumir a liderança na produção nacional, respondendo por 37,1% do total, após ter ocupado essa posição pela última vez em 2022. A produção regional avançou 18,8% na comparação com 2024, impulsionando o resultado nacional do setor.

O Rio Grande do Sul se destacou como o maior produtor individual do país, com 15,3% da produção nacional, seguido pelo Paraná, responsável por 15% do total. O Nordeste também teve participação relevante, respondendo por 37,1% da produção brasileira de mel, empatando proporcionalmente com a região Sul.

Entre os municípios com maior produção de mel em 2025 estão Santa Luzia do Paruá, no Maranhão, Arapoti, no Paraná, Boa Esperança do Sul, em São Paulo, São Raimundo Nonato, no Piauí, e Ortigueira, também no Paraná, que completam a lista dos cinco maiores produtores nacionais do produto.

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