Governo de MT discute avanço da ZPE de Cáceres com lideranças empresariais

Encontro estratégico em Cuiabá
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, participa nesta quarta-feira, em Cuiabá, de uma reunião com lideranças empresariais e representantes do agronegócio para discutir o avanço da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres. O encontro também conta com a presença da diretora-presidente da Invest MT, Mayran Beckman, e do presidente da Associação da Zona de Processamento e Exportações (AZPEC), Francis Maris.
A proposta do encontro é reforçar a articulação entre o poder público e o setor produtivo em torno das oportunidades de desenvolvimento ligadas à estrutura instalada no município, localizado a 260 quilômetros a oeste da capital mato-grossense. A iniciativa busca consolidar a ZPE como uma ferramenta capaz de atrair novos investimentos e ampliar a competitividade do estado no comércio internacional.
Seminário debate competitividade estadual
Paralelamente à reunião, a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) promove o seminário intitulado "Oportunidades e Vantagens da ZPE de Cáceres: o novo motor de competitividade para Mato Grosso". O evento reúne representantes interessados no desenvolvimento econômico do estado para discutir caminhos que possam transformar vantagens regionais em negócios concretos.
Entre os destaques da programação está a participação do economista Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ele apresenta a palestra "Perspectiva para 2027: entre os desafios de hoje e as oportunidades de amanhã", abordando cenários econômicos relevantes para o planejamento de investimentos no estado.
O que é uma Zona de Processamento de Exportação
As Zonas de Processamento de Exportação são áreas de livre comércio com o exterior, criadas para abrigar empresas voltadas predominantemente à produção de bens destinados à exportação. Esses espaços contam com tratamento tributário, cambial e administrativo diferenciado, conforme estabelece a legislação específica que regula o funcionamento desse tipo de estrutura no país.
Na prática, uma ZPE funciona como um ambiente de incentivo à instalação industrial, reduzindo entraves burocráticos e tributários para empresas que direcionam sua produção ao mercado externo. O modelo é utilizado em diferentes regiões do Brasil como estratégia para fortalecer cadeias produtivas e estimular a geração de empregos vinculados à exportação.
Potencial para a economia mato-grossense
O debate em torno da ZPE de Cáceres envolve questões consideradas decisivas para o futuro industrial de Mato Grosso. Entre os pontos discutidos estão as estratégias para atrair empresas interessadas em se instalar na região, bem como a ampliação da capacidade de processamento da produção local.
Outro aspecto central da discussão é o fortalecimento das cadeias produtivas já existentes no estado, que podem se beneficiar da estrutura voltada à exportação. A expectativa é que a zona contribua para que Mato Grosso amplie sua presença em mercados internacionais, agregando valor a produtos que atualmente são exportados, em grande parte, como commodities.
Diversificação econômica como objetivo
A instalação de uma estrutura como a ZPE é apontada como um caminho para diversificar a economia mato-grossense, historicamente concentrada na produção primária do agronegócio. Ao viabilizar o processamento industrial de parte dessa produção dentro do próprio estado, a iniciativa pode contribuir para agregar valor antes da exportação.
Essa diversificação também é vista como uma forma de reduzir a dependência exclusiva da comercialização de produtos in natura, ampliando a participação de bens industrializados na pauta exportadora do estado. O avanço desse processo depende, no entanto, da efetiva atração de empresas e investimentos para a região de Cáceres.
Histórico do projeto
A estrutura física da ZPE de Cáceres foi concluída no ano passado, consolidando um projeto que esteve entre as prioridades da gestão do ex-governador e atual senador eleito Mauro Mendes. A conclusão da obra representou uma etapa importante para que a zona pudesse avançar para a fase de atração de empresas e negociações com potenciais investidores.
Com a estrutura pronta, o foco atual das discussões está voltado para a captação de empreendimentos que possam efetivamente ocupar o espaço e dar início às operações previstas para o modelo de zona de processamento. A reunião desta quarta-feira e o seminário promovido pela Fiemt fazem parte desse esforço de mobilização em torno do projeto.
Articulação entre setores
A participação conjunta de representantes do governo estadual, de entidades ligadas ao investimento e de associações empresariais evidencia o caráter multissetorial da iniciativa. A proposta é que o debate sobre a ZPE não fique restrito ao poder público, mas envolva diretamente o setor produtivo que pode se beneficiar da estrutura.
Essa articulação busca alinhar expectativas entre os diferentes atores envolvidos, de modo que a zona de processamento possa se consolidar como um instrumento efetivo de desenvolvimento econômico regional. O acompanhamento das próximas etapas do projeto deve indicar se as discussões realizadas nesta semana resultarão em avanços concretos para a atração de novos investimentos ao estado.