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Municípios do Médio Tejo se oferecem para testar plano de controle de javalis em Portugal

Por: Redação Valores Agro
14 de setembro de 2026
Municípios do Médio Tejo se oferecem para testar plano de controle de javalis em Portugal

Comunidade Intermunicipal manifesta apoio ao governo

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, que reúne onze municípios do distrito de Santarém, formalizou junto ao governo português a disposição de integrar um projeto-piloto voltado ao controle populacional de javalis na região. A posição foi assumida de forma conjunta pelos municípios após tomarem conhecimento da intenção do executivo de lançar iniciativas experimentais para regular a densidade da espécie em áreas consideradas críticas.

Segundo o presidente da CIM do Médio Tejo, que também ocupa o cargo de presidente da Câmara de Abrantes, a preocupação com a presença excessiva de javalis é generalizada entre os concelhos, ainda que em intensidades distintas. Alguns municípios enfrentam a situação de forma mais severa que outros, mas o problema é reconhecido como uma questão coletiva que exige resposta coordenada.

Disponibilidade para colaborar na construção de um modelo regional

Questionado sobre a possibilidade de o Médio Tejo se tornar um território de referência para testar soluções que possam ser posteriormente aplicadas em outras regiões do país, o dirigente confirmou a abertura dos municípios para participar ativamente desse processo. Segundo ele, a intenção não é apenas aderir a uma medida externa, mas contribuir para a construção da própria solução.

A liderança da CIM destacou que os onze municípios manifestaram formalmente ao governo essa vontade de colaboração, reforçando que a disposição para integrar o programa-piloto é compartilhada por todos os concelhos envolvidos, independentemente do grau de impacto que cada um enfrenta atualmente.

Falta de detalhes sobre o programa

Apesar da disponibilidade manifestada, o presidente da CIM afirmou desconhecer ainda os detalhes concretos da iniciativa, incluindo quais territórios serão efetivamente contemplados e quais regras irão orientar o funcionamento do projeto. A ausência de informações mais específicas tem gerado expectativa entre as autarquias interessadas em participar.

O anúncio da iniciativa partiu do Ministério da Agricultura e Mar, cujo titular declarou recentemente que o governo trabalha na elaboração de um projeto-piloto que preveria compensação financeira por cada javali abatido em áreas onde for constatada superpopulação da espécie. Até o momento, no entanto, não foram divulgados valores, critérios de aplicação ou os territórios que serão selecionados para a fase inicial do programa.

Medidas locais já em desenvolvimento

Enquanto se aguarda a definição do programa nacional, alguns municípios da região já adotam iniciativas próprias para tentar conter o avanço da população de javalis. Em Mação, a Câmara Municipal e associações de caçadores decidiram elaborar um plano específico para reduzir a presença dos animais, admitindo inclusive o financiamento municipal de ações como apoio a matilhas de caça, custeio de licenças e criação de soluções logísticas para armazenamento e escoamento dos animais abatidos.

No concelho do Sardoal, foi agendada uma reunião do Conselho Cinegético Municipal com a participação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e de associações de caçadores. A convocação ocorre em um contexto que o presidente da autarquia classificou como um crescimento expressivo da população de javalis na região, exigindo resposta mais estruturada por parte das autoridades locais.

Situação em Abrantes permanece estável, mas atenta

Em Abrantes, o cenário é descrito como estável, mas sem sinais de melhora significativa. O presidente da Câmara relatou que os avistamentos de javalis em áreas urbanas continuam ocorrendo de forma pontual, mantendo acesa a preocupação das autoridades municipais mesmo sem um agravamento abrupto da situação.

Segundo o dirigente, o município tem mantido trabalho conjunto com associações de caçadores, que atuam sob a supervisão do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e têm contribuído para o controle da espécie na região. Essa parceria é apontada como uma das principais ferramentas disponíveis atualmente para mitigar os impactos da presença dos animais.

Desafios para intervenção em áreas urbanas

Um dos pontos mais sensíveis relacionados ao tema envolve as dificuldades de atuação em zonas urbanas, onde o recurso à caça tradicional não pode ser aplicado da mesma forma que em áreas rurais. Para lidar com esse tipo de situação, o presidente da CIM destacou a necessidade de conhecer detalhadamente as medidas e estratégias que serão propostas pelo governo central.

Ele reforçou que, embora ainda não existam informações específicas sobre o desenho do programa, há clareza quanto à intenção do executivo de lançar iniciativas-piloto voltadas ao controle populacional da espécie, e que os municípios do Médio Tejo seguem disponíveis para colaborar nesse processo assim que houver definição mais concreta.

Um problema histórico na região

A questão relacionada à proliferação de javalis não é recente no Médio Tejo, sendo sinalizada por autoridades locais há vários anos. Entre os principais impactos relatados estão prejuízos a culturas agrícolas, aproximação cada vez mais frequente dos animais a áreas povoadas e registros de acidentes rodoviários envolvendo a espécie em diferentes concelhos da região.

De acordo com estimativas do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a população de javalis em Portugal continental pode atualmente rondar os 300 mil exemplares, número que evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelas autoridades e reforça a necessidade de ações coordenadas entre governo central e poder local para conter o crescimento da espécie de forma sustentável.

A expectativa das autarquias do Médio Tejo é que a definição do projeto-piloto ocorra em breve, permitindo que os municípios interessados possam iniciar de forma estruturada a aplicação de medidas específicas para o controle populacional, com base em critérios técnicos e financeiros ainda a serem estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Mar.

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