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Renegociação de dívidas rurais se distancia do Plano Safra

Por: Redação Valores Agro
22 de junho de 2026
Renegociação de dívidas rurais se distancia do Plano Safra

Crise política afeta a renegociação de dívidas rurais

A pouco mais de uma semana do lançamento do Plano Safra, o projeto de renegociação de dívidas rurais parece cada vez mais distante de sair do papel. Contaminado pelo ambiente pré-eleitoral, o tema entrou em uma disputa de narrativas que ameaça inviabilizar um acordo entre Congresso e governo — essencial para a viabilização da proposta.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com apoio de entidades do setor, deve divulgar um manifesto para contestar a posição do Ministério da Fazenda. A pasta calcula impacto de R$ 139,8 bilhões para as contas públicas ao longo de 13 anos de alongamento dos contratos.

Munidos de estudos técnicos sobre a utilização de fundos públicos que, segundo defendem, não afetam diretamente o resultado primário, parlamentares ligados ao setor agropecuário pretendem convencer o presidente da Câmara, Hugo Motta, a pautar a matéria. Até o momento, ele resiste a levar o texto ao plenário por considerar excessivos alguns pontos aprovados pelo Senado neste mês.

Além das divergências sobre os critérios de acesso à renegociação, o calendário também preocupa os produtores. Previsto para ser lançado em 1º de julho, o novo Plano Safra deverá permanecer inacessível para parte significativa dos agricultores endividados — contingente que se concentra principalmente no Rio Grande do Sul.

O cenário também não favorece avanços imediatos. Com Brasília esvaziada pelas festividades de São João, a tendência é de que as discussões percam ritmo justamente em um momento decisivo para a construção de consensos.

Sob pressão, a equipe econômica avalia editar nos próximos dias uma medida provisória com uma nova proposta de renegociação. A alternativa tende a ser bem mais restritiva do que o texto do Congresso.

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